Solar atinge 62 GW durante a COP 30, mas hidrelétricas seguem na liderança

Energia solar atinge 62 GW na COP30; usinas hídricas ainda dominam a matriz nacional

O setor solar brasileiro ganhou destaque durante a COP 30, realizada em Belém, ao atingir a marca histórica de 62 GW de capacidade instalada. O dado foi divulgado pela Associação Brasileira de Energia Solar Fotovoltaica (ABSOLAR) em 19 de novembro. Segundo a entidade, 43 GW correspondem a pequenos sistemas de geração distribuída, instalados em telhados e fachadas com potência de até 5 MW, e outros 19 GW provêm de grandes usinas fotovoltaicas. Desde 2012, o setor investiu mais de R$ 279,7 bilhões, gerou cerca de 1,8 milhão de empregos verdes e recolheu R$ 87,3 bilhões em impostos. Esses números refletem a explosão da energia solar no país.

A expansão solar traz benefícios ambientais e socioeconômicos. De acordo com a ABSOLAR, a eletricidade gerada pelos 62 GW de painéis evitou a emissão de aproximadamente 91 milhões de toneladas de dióxido de carbono, contribuindo para que o setor responda hoje por 24,1 % da capacidade instalada brasileira. O crescimento ocorre tanto em projetos distribuídos, que reduzem perdas e democratizam o acesso, quanto em grandes parques construídos principalmente no Nordeste e Sudeste.

Embora a conquista represente o segundo maior parque de geração do país, especialistas lembram que a hidroeletricidade continua sendo a espinha dorsal do sistema. Segundo a ANEEL, 84,42 % da capacidade total do Sistema Interligado Nacional provém de fontes renováveis, e a participação das usinas hidráulicas permanece majoritária. Essa predominância não se dá apenas em potência instalada: os reservatórios funcionam como grande acumulador de energia, regulando a produção para atender à demanda noturna ou em períodos sem sol. Já a geração solar, por definição intermitente, depende dessas “baterias naturais” para garantir estabilidade ao sistema.

A necessidade de armazenamento e de gerenciamento eficiente ficou evidente nos debates da COP 30. Durante a conferência, representantes do governo e do setor elétrico destacaram que o crescimento acelerado da solar pressiona a rede a buscar novas soluções de flexibilidade. Uma das propostas mais promissoras é combinar usinas fotovoltaicas e eólicas com hidrelétricas, seja por meio de reservatórios existentes, seja com usinas reversíveis, capazes de bombear água para reservatórios superiores e armazenar energia quando há excedente. A Empresa de Pesquisa Energética (EPE) ressalta, em sua Nota Técnica sobre repotenciação, que modernizar turbinas e adotar novas tecnologias pode aumentar a capacidade instalada das hidrelétricas e viabilizar projetos híbridos.

Outra questão discutida em Belém é a reforma do marco legal do setor elétrico. Líderes de entidades setoriais defendem que a Medida Provisória que trata da modernização do segmento contemple mecanismos de armazenamento e remunere a potência fornecida pelas hidrelétricas, reconhecendo seu papel de backup. Também se debate o aprimoramento dos leilões de energia para atrair investimentos em usinas híbridas e em repotenciação de projetos existentes, de modo a aproveitar a infraestrutura de transmissão já instalada.

Para o consumidor, a expansão da solar traz oportunidades e desafios. No curto prazo, sistemas distribuídos permitem economizar na conta de luz e estimulam a geração local. Contudo, a precariedade das redes de distribuição em algumas regiões e a necessidade de investimentos em armazenamento podem pressionar as tarifas se não houver planejamento. Por isso, especialistas apontam que o avanço da energia fotovoltaica deve ser acompanhado pelo fortalecimento das hidrelétricas e pela adoção de tecnologias complementares, como baterias de grande porte e usinas reversíveis.

Em síntese, o marco de 62 GW sinaliza uma nova fase para a energia solar no Brasil e fortalece o protagonismo nacional na transição energética. Contudo, a estabilidade do sistema depende da sinergia entre as diferentes fontes renováveis. As hidrelétricas continuarão exercendo papel central, integrando-se a parques solares e eólicos para garantir confiabilidade, segurança energética e tarifas justas aos brasileiros.

Desenvolvido por