Trump barra demolição de barragens e reacende debate sobre a importância da energia hidrelétrica

Em 12 de junho de 2025, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou um memorando que cancelou o plano do governo anterior de remover quatro grandes barragens no Rio Snake, no noroeste do país. A decisão foi anunciada como uma forma de proteger a segurança energética dos americanos e garantir a continuidade de serviços essenciais como irrigação agrícola, navegação fluvial e o fornecimento de energia para milhões de famílias.

O plano original, defendido pelo governo Biden, previa a demolição das barragens como parte de um acordo ambiental para ajudar na recuperação de populações de salmões e promover o que chamavam de “justiça climática”. A proposta foi apoiada por grupos ambientalistas, mas recebeu críticas de diversos setores da economia, especialistas em energia e parlamentares. Segundo eles, a medida colocava em risco a estabilidade da rede elétrica do país, aumentava o risco de apagões e encarecia a conta de luz.

As barragens envolvidas — Ice Harbor, Little Goose, Lower Monumental e Lower Granite — geram, juntas, mais de 3.000 megawatts de energia limpa e renovável, suficiente para abastecer cerca de 2,5 milhões de residências. Além disso, são fundamentais para o controle de cheias e o transporte de grãos em uma das regiões agrícolas mais produtivas dos Estados Unidos.

O argumento usado por Trump e por diversos parlamentares é que remover essas barragens seria um erro técnico e estratégico. Eles afirmam que a energia hidrelétrica não apenas é renovável, como também tem um papel único na estabilização da rede elétrica — algo que fontes como solar e eólica, por serem intermitentes, ainda não conseguem garantir com a mesma eficiência. Em momentos de pico de consumo ou falhas em outras fontes, são as hidrelétricas que entram em ação quase imediatamente, evitando colapsos no sistema.

Esse episódio nos Estados Unidos serve de alerta e reflexão também para o Brasil. Aqui, mais de 60% da energia elétrica que consumimos vem das hidrelétricas. São elas que ajudam a manter o equilíbrio do sistema, a oferta estável de energia e preços mais acessíveis para a população. Mesmo assim, muitas vezes, essa fonte é deixada de lado em discussões públicas ou sofre críticas baseadas em informações incompletas.

O caso americano mostra que, diante de decisões energéticas, é preciso muito mais do que slogans ou promessas ambientais genéricas. É necessário olhar com atenção para os impactos reais, tanto ambientais quanto sociais e econômicos. A energia hidrelétrica, ao contrário do que insistem em dizer, é uma aliada poderosa da natureza e do desenvolvimento.

Se o Brasil quiser garantir um futuro com energia acessível, limpa e confiável, precisa valorizar ainda mais suas hidrelétricas — grandes e pequenas — como peças-chave na segurança do país. A decisão de Trump, apesar de polêmica, levanta uma questão urgente: estamos realmente preparados para abrir mão de uma fonte tão estratégica?

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